PARTE 2
A tragédia possui uma estrutura essencial composta por um espetáculo cênico incluindo encenação e representação dos atores, revelando o ambiente e o tempo(Modo), elocução através da fala e do dialogo, a melopéia, com o canto, a melodia e a musica (Meio), as características do herói(caráter), pensamento, nas idéias expressadas pelos personagens e o mito sendo a historia apresentada na tragédia(Objeto). Para Aristóteles, o mito é a parte mais importante na tragédia e o espetáculo cênico o menos importante, pois não depende do trabalho do autor e sim da representação dos atores.
Um poeta fala das coisas que poderiam acontecer, ele imita, cria uma realidade onde tudo poderia acontecer. Enquanto o historiador fala do que, de fato, aconteceu. E assim se diferenciam entre si, o poeta e o historiador.
O mito trágico é composto de inicio, meio e fim. Essas partes devem ser interligadas a ponto de ser impossível o entendimento total caso seja retirado uma delas.
Aristóteles fala, ainda, que os mitos podem ser divididos em dois grupos. O mito simples e o mito complexo. O mito simples é quando o herói passa da felicidade para a infelicidade sem que haja reconhecimento e/ou peripécia. O mito complexo, por sua vez, é quando o herói passa da felicidade para infelicidade através da peripécia, do reconhecimento ou dos dois. Esse tipo de mito é apresentado em A ODISSÉIA. As partes qualitativas do mito complexo são : a catástrofe, a peripécia e o reconhecimento..
A catástrofe é o evento ou os eventos dolorosos e funestos que ocorrem com os personagens da tragédia. Corresponde ao sofrimento, morte, dor ou casos semelhantes. A peripécia é uma ação forte que se desvenda de maneira contraria ao esperado. O reconhecimento acontece quando algo que era desconhecido, na tragédia, passa a ser conhecido. São cinco os tipos de reconhecimentos de acordo com Aristóteles: Sinais adquiridos(cicatrizes, tatuagens, marcas) e congênitos, sinais forjados pelo poeta, despertar de memória, silogismo(um ou dois juízos que precedem a conclusão) e paralogismo (raciocínio falaz).
Dentre as partes quantitativas, da tragédia, encontra-se na ordem : O prólogo, primeiro episódio, Párodo, onde ocorre a primeira entrada do coro, seguido pelo segundo episódio , segunda entrada do coro, terceiro episódio, logo a terceira entrada do coro e por fim o êxodo, conforme sugerido, é o final da tragédia. O coro, corifeu ou coreto é aquele que dialoga com os personagens.
Sobre a situação trágica, Aristóteles diz que é acontece quando o herói passa da felicidade para a infelicidade por força de um erro. Este erro é chamado de erro trágico ou hamartia.
O herói trágico, geralmente, é quem comete o erro trágico, e quem sofre com a alternância de felicidade para infelicidade, além de pertencer a uma família tradicional e de grande reputação.